Jejum de 12h para exame de colesterol e triglicérides deixa de ser obrigatório

“Esse benefício será enorme para os nossos clientes, que ganharão mais liberdade de horário e comodidade”, explica Dr. Henrique Tommasi Netto sobre fim do jejum de 12h.

Os laboratórios não precisarão mais exigir que pacientes fiquem 12 horas em jejum para realizar exames do perfil lipídico, que medem os níveis de gordura no sangue, como o de colesterol total, HDL-c, não HDL-c, LDL-c e triglicérides.

Cinco entidades médicas do país divulgaram documento nessa semana com novos valores de referência para os exames. Para o grupo, o fato do paciente estar alimentado não interfere no resultado do triglicérides – que indicava a necessidade das 12 horas sem a ingestão de alimentos.

“O valor de referência desejável deste exame é de 150 mg/dL com jejum e de 175 mg/dL sem o jejum. A alta de apenas 25 mg/dL é muito pequena para exigir a privação de alimentos por um período tão prolongado”, defende a conselheira para a aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia Tânia Martinez.

A recomendação deverá beneficiar crianças, idosos e diabéticos, mais sujeitos a se sentirem mal ao ficar sem comida. “O jejum prolongado, às vezes agravado pelas longas filas dos laboratórios, pode fazer com que o diabético tenha uma hipoglicemia, por exemplo”, diz Tânia. Ela explica também que quando o paciente fica muitas horas sem se alimentar, seus níveis de triglicérides caem e, se a coleta de sangue for feita quando as taxas estiverem baixas, o resultado pode mascarar o risco de lipoproteínas não metabolizadas e, devido a isso, possíveis doenças cardiovasculares. “É um novo parâmetro”, diz.

O jejum de 12 horas será indicado apenas para quem fizer o exame de triglicérides e tiver um resultado igual ou superior a 440 mg/dL. Neste caso, o exame deverá ser refeito.

Período de adaptação

A flexibilização do jejum vinha sendo discutida no país desde que um estudo sobre o tema foi publicado neste ano na Dinamarca. No país o uso de testes de colesterol em tempo aleatório, ou seja, sem a necessidade do jejum, tem sido realizado com sucesso desde 2009, o que tem beneficiado diabéticos, idosos e crianças.

As novas recomendações, que contam com o aval de Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), SBAC (Sociedade Brasileira de Análises Clínicas), SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), DA/SBC (Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia), SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial), já foram repassadas para os laboratórios do país e devem entrar em vigor até 2018.

“A interpretação será gradual. Os laboratórios precisam de tempo para se adaptar”, conclui Tânia.

“Apoiamos estudos aqui na UFES que também comprovaram que a variação de resultado com jejum e sem jejum na grande maioria dos exames não tem relevância. Esse benefício será enorme para os nossos clientes, que ganharão mais liberdade de horário e comodidade”, explica Dr. Henrique Tommasi Netto.

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Fonte: Metro e Veja (adaptado)

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